Observando Sobre as cidades


O olhar e a observação sobre o pertencimento, estar em algum lugar, andar pela sua cidade olhando sobre a sua estrutura, formas, dimensões, pessoas, pretérito e principalmente sobre quem podemos e devemos ser, para repensar permanentemente sobre os nossos direcionamentos, de onde viemos e também como nos relacionamos com o presente, passado e possíveis futuros do Espaço Urbano da qual estamos inseridos.

No audiovisual e principalmente na sétima arte,temos muitos exemplos desta interação entre os indivíduos e o as cidades e, uma das minhas mais representativas é a do personagem Tony Manero, astro do filme “Staying Alive 2”, que ao final da segunda parte, ao se despedir da sua amiga Jackie, abre o portão do Teatro, em direção a Rua, com olhar observador de sucesso e andando pelas Ruas olhando cada movimento, direção e particularidades de forma triunfante como que triunfante ao saber que conquistou a cidade e que pertencia a ela.

O pertencimento também está associado ao estar, ao lugar que se mantém fixo, sejam no coração ou na forma de como determinada pessoa possui o viés de estrutura do seu universo, mundo particular que o faz ser um não lugar ou a um lugar de estar ou não, imaginando-a perspectiva de observar que a cidade sou eu e nós estamos e somos o pertencer da cidade.

Na Antropologia, observamos os objetos que constituem, sejam o espaço Urbano ou o privado, permanentemente sob uma dimensão simbólica, do pertencer ao determinado lugar da qual está inserido, o imaginamos como uma dimensão de pensamentos que ali está presente, com sociabilidades, lugar, respeito para com o objeto,que nunca é descrito como um algo inanimado e sim como o descritor das singularidades locais.

Em minha Infância, morei em um Bairro chamado Barreto, que se localiza no município de Niterói, no Rio de Janeiro, me deslocava pelo bairro observando cada detalhe dos prédios, postes e carros e por uma singularidade minha, eu considerava que os detalhes de um determinado poste, possuíam características humanas, que os nomeei e o mais interessante que os nomes eram dos parentes / meu ciclo de contatos, pelas quais mantinha contatos e potenciais de afetos.

Sendo uma criança observadora, de ter uma curiosidade constante sobre o espaço e a História das coisas e Lugares, passei também a buscar informações sobre o passado do bairro onde eu morava e que descobri ser, em outrora,uma localidade repleta de brejos, mangues e que por ser próximo da Baía de Guanabara e de muitos estaleiros, alguns lugares tinham sido construídos a partir do aterramento de diferentes lugares.

A minha imaginação na época saiu “voando”, o histórico e o simbólico se encontraram de uma forma única quase que imediatamente e consequentemente o imaginar-se no passado se constituiu como uma importante ferramenta de desenvolvimento da percepção sócio-espacial e também da constituição de uma identidade. O não lugar se tornou lugar e que se transformou em pertencimento.


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