Simone Simons e Mark Jansen (Épica) como você ainda não viu!

No último mês de março, Simone Simons e Mark Jansen bateram um papo delicioso numa coletiva de imprensa on line.

Falamos sobre seus planos, sonhos e suas opiniões sobre diversos assuntos...e também sobre o tão aguardado ÔMEGA!

Confira a primeira parte da entrevista.

Tradução: Guilherme Padovani

Revisão: Humberto Finatti


Parte 1


Jornalista: sobre "El Codigo Vital" do “Omega Acústico”, eu acho que ele soa fresco e a banda soa como se divertindo bastante enquanto fazia ele, em contraste com o tom mais sério do álbum em si. Então de onde veio a ideia de uma versão estilo latino?


MARK JANSEN: Eu acho que foi uma idéia do Kuhn. É também uma música dele como a versão do álbum. Ele é o compositor da parte musical da faixa, e quando nós estavamos debatendo as opções para cada música que iriamos gravar, eu acho que foi uma ideia do Kuhn. É também uma música dele como a versão do álbum. Ele é o compositor da música, e quando nós estávamos debatendo as opções para cada música que iriamos gravar uma versão acústica, ele disse que queria fazer como uma versão salsa e ter alguma parte da letra traduzida em espanhol também, que é a primeira vez para nós que fizemos aquilo e gostamos, é na verdade totalmente diferente da versão do álbum, e isso é algo que fizemos com muitas das feixas acústicas que nós tentamos mudar, como "Abyss of Time", ela estava se pegando mais daquele toque irlandês, e claro, a música no álbum já tinha, mas nós adaptamos o título para se encaixar ao irlandês. Muitas pessoas, seus sobrenomes são como O'Malley, O'Neill, O'Brien, e nós nomeamos "Abyss O'Time" e o verso é a versão à capela, que eu acho super bonita, ela é tão simples, mas é muito intimista, e eu ouvi ela de novo hoje e eu fico arrepiado com isso, e “Omega” é também totalmente diferente, mas isso não importa se a música em si tem uma melodia muito boa, você pode muda-la para qualquer estilo diferente que você quiser e nós somos uma banda de metal mas nós gostamos de se divertir e no final do processo de gravação que pode ser muito entediante, é legal apenas usar todos os instrumentos que podemos encontrar no estúdio e sim, é como sabe, você pode balançar seu "bumbum" um pouco também.


Jornalista: Como a idéia de uma parceria com os cellos da Appocaliptica e da banda de apoio de prog metal surgiu?


SIMONE SIMONS: Sim, nós estamos procurando um pacote interessante para a turnê, e Appocalyptica é uma das bandas que nós já há um bom tempo desejamos formar um pacote e neste momento isto funcionou e então as duas bandas se encontraram e agendaram essa turnê extensa e infelizmente devido a pandemia tivemos que adia-la, mas com sorte no começo de 2020 nós poderemos finalmente fazer isso acontecer, e o mesmo para Wheel, nós estávamos procurando uma banda legal para concluir o pacote e Wheel era uma das bandas que nós tínhamos na lista e então nós começamos a verificar com as bandas e Wheel era uma das que estavam mais empolgadas, então eles se tornaram a escolha.



Jornalista: Você pode nos dizer sobre a diferença entre Épica do começo, do primeiro disco, para o Épica no “Omega”?


SIMONE SIMONS: Embora quase vinte anos tenham se passado, é claro que nós evoluímos como uma banda assim como indivíduos, como músicos ou no meu caso, cantora, eu cresci com o Épica, é minha escola de aprendizado, minha universidade e meu trabalho tudo junto. Eu acho que o “Omega” tem algumas similaridades com o começo do Épica, por exemplo a música oriental como "Seal of Solomon" me leva de volta aos primeiros tempos do Épica, mas “Omega” é muito maduro, é como o Mark diz “é bem balanceado, você pode ouvir que a banda meio que evoluiu a cada registro, mas com o ‘Omega’ nós nos sentimos com os pés no chão, com nossas vidas pessoais mas também como músicos como uma banda, nós passamos por fases tão diferentes e estágios de nossas vidas, mas também como uma banda, sabe?”. Seis pessoas trabalhando juntas, seis pessoas de personalidades completamente diferentes, mas sim, eu acho que é diferente como o dia e a noite, mas ao mesmo tempo está conectado com o começo do Épica e nós trazemos nossa experiência, nós evoluímos para o que somos agora e então em cada gravação nós nos esforçamos para ser a melhor versão de nós mesmos naquele momento, e eu acho que sim, nós conseguimos fazer isso sem perder o som da Épica, nós ainda temos os elementos pelos quais todos, pelos quais a Épica é conhecida mas nós ousamos experimentar um pouco também e adicionamos novas e refrescantes coisas também.


JORNALISTA: Sobre a faixa "Code of Life": é sua música favorita do disco, certo? É bem heavy metal has a tradition, geralmente com alguns riffs com caos oriental, com abordagem oriental e a música "Code of Life" tem o riff de abertura com abordagem oriental. Então eu quero falar sobre a composição da música, sobre esse interesse oriental e se você acha que nós podemos aprender algo do jeito de ser oriental como o futuro no geral.


SIMONE SIMONS: Sim, "Code of Life" foi escrita, a música foi composta pelo Kuhn, e tem sido uma das minhas músicas favoritas desde o começo, quando ainda estávamos nos primeiros estágios do processo de composição, eu me lembro de ouvir a música pela primeira vez, ela não estava terminada, não tinha a ponte ou um final para ela, era apenas o tema principal, claro, o refrão e a introdução, e eu já tinha começado a ouvir a música no "repeat" embora ela não estava pronta ainda e eu estava realmente esperando que a música estivesse no albúm. No começo, quando estamos fazendo o processo de composição, nada é certo ainda, nós apenas todos jogamos nossas ideias na mesa ou na internet e compartilhamos elas por e-mail ou qualquer outra coisa e sim, então ela tem muito desse estilo da antiga Epica, quer dizer. Nós temos "Fools of Damnation", "Seif Al Din", The "Death of a Dream", nós já tivemos essa influência no começo da Épica e ela meio que foi embora, mas para esse disco ela voltou e eu vibro muito com essa música, eu também adoro fazer o canto oriental, o canto atmosférico que estou fazendo com Zaher Zorgati (eu sempre pronuncio errado seu nome), da banda tunisiana Myrath com quem nós fizemos uma turnê e ele é expert em cantar isso, e eu amo esse tipo de canto e é um ótimo jeito de levar sua emoção e sempre quando estou gravando isso ou cantando nesse estilo, eu apenas improviso e meu produtor pega as partes que ele acha que se encaixa melhor e ele monta esse quebra cabeça e eu adoro a música, digo, para mim as músicas se desenvolveram de "demos" até o fim e isso pode mudar. Mas essa música foi uma das minhas favoritas desde o começo e eu ainda tenho aquela conexão com ela e meu filho ama ela também. Se nós ouvimos o novo álbum ele fica como: sim, quero mostrar quem quer que esteja em casa a minha música favorita e ela é “Code of Life”.


JORNALISTA: Vocês estão num caminho mais melódico, mas o som da Épica mudou um pouco em relação ao “Holographic Principle”. O que mudou nos compositores de “Holographic Principle” para o “Omega”. Por que vocês mudaram?



MARK: Sim eu concordo, porque o Holographic Principle, embora nós realmente amamos as músicas do álbum mas nós tínhamos uma sensação de que este álbum era um pouco difícil de ouvir do começo ao fim, porque nós analisamos o que poderia ser a razão para isso e a razão principal é aquela mistura, tudo está o tempo todo com força total, tudo junto e então no “Omega” nós temos uma abordagem completamente diferente e já tínhamos começado com isso durante o processo de composição para ter muito mais equilíbrio no álbum, de maneira a ter mais partes calmas e equilibradas com as partes pesadas, e assim portanto as partes pesadas soarem ainda mais pesadas mas também ter uma abordagem diferente com a mixagem. Então às vezes dar prioridade às guitarras e às vezes à orquestra ao invés de tudo o tempo tudo junto, porque então na verdade as guitarras por essa razão ficam um pouco menos pesadas e a orquestra está menos na cara também, então é tipo uma situação que ambos ganham e também o som no geral se beneficia disso porque portanto quando você escuta o álbum do começo ao fim é muito mais fácil aos ouvidos para processar, e caminhos melódicos nós focamos num álbum que tivesse algumas músicas que se nós tocássemos por exemplo num festival que pessoas não conhecessem a banda, já iriam querer "banguear" com nossas músicas novas porque nós notamos que músicas como obviamente "Cry for the Moon" e também "Beyond the Matrix", quando nós tocamos elas para uma multidão que não conhece Épica, eles realmente entram na música na primeira audição e então nós tentamos focar em ter algumas mais dessas faixas e também a diferença do jeito de trabalhar com o “Holographic Principle” foi que agora nós ficamos juntos por uma semana na Holanda e fisicamente juntos e trabalhando nas faixas uns dos outros, e então nosso produtor estava lá também e foi uma forma muito agradável de trabalhar juntos, comer juntos, uma construção realmente de time. E ao mesmo tempo trabalhando nessas faixas eu tive a sensação de que aqui nós fizemos uma diferença pelos próximos 10% de nossas faixas, nos elevamos elas ao próximo nível e nós definitivamente continuamos fazendo isso também para um álbum futuro porque nós realmente amamos trabalhar assim.


JORNALISTA: vamos falar sobre "Freedom - The Wolves Within" a letra fala sobre a luta interna entre dois lobos, se não estiver errado um representando nosso lado mau e melancolico e o outro representando felicidade e perseverança, e eu coincidentemente li uma história similar no livro, estes dias "The Courage to Be Disliked", que me fez lembrar muito esta música e então eu pergunto quão importante são a literatura e filosofia para o Épica?


MARK : Muito boa essa pergunta, e é muito importante começar com ambos Simone e eu, nós também nós escrevamos essa letra juntos a proposito, essa foi a letra do disco que nós fizemos juntos e nós dois somos muito interessados também em mitologia antiga e ensinamentos de sabedoria antigos, filosofia e essa é uma das histórias que de fato eu me deparei quando estava me aprofundando sobre uma antiga história sobre um Cherokee ensinado seu neto essa lição e eu fiquei comovido pela história e pude então relembrar aquele sentimento sobre esses dois lobos interiores porque nós todos temos estes lobos interiores e alguns de nós ficam um pouco envergonhados do lobo obscuro, mas ele é parte de nós e de forma alguma devemos ficar envergonhados disso isso é quem somos, nós todos temos esse lado obscuro e por suprimi-lo. Na verdade ele vem a tona cedo ou tarde de qualquer maneira, mas quando você alimenta o lobo positivo mais to que o negativo, pelo menos um se torna o dominante e então você se torna a pessoa de que as pessoas gostam de se cercar ao inves de uma pessoa negativa que alimenta mais o outro lobo. E então é tudo uma escolha para cada um de nós. Quem você quer ser, qual lobo nós queremos alimentar mais que o outro?



JORNALISTA: Mark, você disse que esta se reinventando. “Omega” é também a última letra do alfabeto grego e as vezes é quase um sinônimo para fim, o fim de algo. Todo mundo espera e sabe que este não é seu último álbum. Mas ele representa um ponto na sua carreira ou na sua vida, algo assim, quando vou parar algo e começar de novo?E apenas uma observação: eu acho que ouvi um pouco mais do gutural do Mark.


MARK : Sim, esta não foi uma decisão consciente, foi o que veio a ser. Nós sempre colocamos grunhidos quando queremos, não é algo que nós pensamos muito, é apenas algo que acontece naturalmente e as vezes um pouco mais, as vezes um pouco menos, não é como uma direção consciente que queremos seguir desenvolvendo, pode ser que no próximo álbum seja menos de novo, mas é o que a música pede. É a direção que nós vamos. Sobre o “Omega”, inicialmente se referia a teoria do ponto omega e essa é uma teoria que afirma que nós, como humanidade, como o universo todo por dizer, estamos fadados a rodopiar em direção a um ponto de unificação e nós achamos que isso era um conceito realmente bonito para apresentar neste álbum e faze-lo se referindo ao ponto omega, mas "Ponto Omega" nós achamos que não era um título de álbum tão forte, então nós reduzimos para “Omega” mas sim, naquele momento, quando nós escrevemos as letras, nós não sabíamos que a pandemia chegaria e obviamente, agora já sabemos que ela será um grande ponto de mudança para a humanidade também porque ela tem um grande impacto, então de uma forma ou de outra “Omega”, o álbum, será como foi lançado em um importante período de tempo para a humanidade, algo grande está acontecendo e nós todos esperamos que isso será para o bem, que depois dessa pandemia nós encontraremos um jeito melhor de viver em harmonia com a natureza, isso é o que nós todos estamos esperando. Então sim, ele não será nosso último álbum, pelo menos isso não é o que nós queremos, mas com sorte este será o fim de uma era e o começo de um novo e lindo tempo.


Final da primeira parte da entrevista.



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